Educação Inclusiva

Você acredita que devemos matricular a criança com necessidades educativas especiais em escolas para crianças ditas normais ou escolas especiais? Ou devemos ouvir a criança e deixar que ela decida?

Para refletirmos sobre esta questão é necessário considerarmos a importância do sentimento de pertencimento nas relações pedagógicas, estudada por muitos autores, dentre eles Vygotsky. Segundo o autor, todas as crianças estarão desenvolvendo seu sentimento de pertencimento baseado em uma concepção de “normalidade humana” entendida em sua heterogeneidade. O desenvolvimento desse sentimento de pertencimento poderá ser explicado em 5 dimensões: A dimensão ética, em que o sentimento de pertencimento é desenvolvido pela capacidade humana de sentir ou de receber sensações e de atribuir sentidos à própria vida e à vida do outro, pela consciência dos sentimentos, sensações, relações e de sua importância no processo de aprendizagem. A dimensão política, em que o sentimento de pertencimento se efetiva nas relações heterogêneas de dependência e de autonomia dos seres humanos. Uma autonomia sempre relativa, já que precisamos do outro para viver. Precisamos também dos outros seres vivos para viver. Este valor é apreendido pela atitude de abertura para os próprios sentimentos, à cumplicidade com o outro, à participação e corresponsabilidade pela vida dos membros da comunidade e do meio do qual se faz parte. A dimensão estética, em que o sentimento de pertencimento se efetiva na criatividade dos seres humanos frente aos desafios da vida, quando se sentem contagiados um pelo outro. Suas relações são simétricas e norteiam essa relação criadora. Dele resulta uma diversidade de emoções que transformam o primeiro sentimento, superando aquilo que o originou, ou seja, os primeiros sentimentos, individuais, que são transformados em sentimentos sociais, muitas vezes, opostos aos primeiros em suas soluções. Na dimensão social o sentimento de pertencimento não se processa somente pelo contágio de um indivíduo que influencia a todos. No contato com o diferente, temos a impressão de sentir o que propriamente não sentimos, de entender o que não entendemos, de poder o que não podemos. Ao nos encontrarmos com o autor desse sentimento, reflexão ou poder, transportamo-nos a outra situação. Outras energias e sentimentos são suscitados em nosso ser. Finalmente, na dimensão educativa o sentimento de pertencimento ocorre quando organizamos os processos conscientes de maneira a suscitar os inconscientes. O sentido educativo tem a potencialidade de ampliar as possibilidades de pertencimento e enriquecer as já existentes pela reação. Refletir sobre o próprio pertencimento e o pertencimento do outro pressupõe a disposição da consciência para compreendê-lo e da disposição do psiquismo frente a uma série de posições, que têm como objetivos preparatórios o processo de ter uma posição. Quando as crianças vão à escola e convivem com seus pares nas rotinas escolares, elas estão construindo o próprio sentimento de pertencer ao mundo dos seres vivos, da espécie humana, da sociedade, da família e de pertencer a si próprio. Quando todas as crianças estudam juntas, independente de suas singularidades elas ampliam essas possibilidades. A educação nesse sentido passa a dar vida ao seu papel contemporâneo de intervir na sociedade para que se qualifique na direção da justiça social, o sentimento de solidariedade e a paz. Este é um novo paradigma para os sistemas educacionais. Portanto, todo o ser humano, na sua mais tenra idade aprecia a convivência com seus pares e aprende com ela. Ir para a escola é um ritual social, vivido por muitas gerações, nos faz evoluir e compreender que todos pertencemos à humanidade. Assim, não há o que decidir, pois já fazemos parte. A inclusão escolar ainda enfrenta muitos desafios, um deles é a resistência dos pais dos alunos ditos normais para com os alunos com deficiência. Quais as ações que a equipe escolar deve realizar para enfrentar essa atitude? A resistência dos pais dos alunos que não tem deficiência, com a inclusão educacional da pessoa com deficiência é fruto da falta de informação, dos preconceitos. Os gestores de ensino devem promover um canal amplo de comunicação com os pais com o objetivo de sanar dúvidas referentes à convivência com pessoas com deficiência no contexto escolar, as vantagens para a aprendizagem da convivência com a diversidade escolar, as ações que estão sendo implementadas quanto à formação de professores e o planejamento das atividades pedagógicas. É necessário investir na acessibilidade da escola e organizar ações que apoiem as equipes e os alunos para a construção de um ambiente inclusivo, em toda a rotina escolar, construindo um ambiente cercado de atitudes positivas diante dos desafios que a sociedade contemporânea nos traz, em relação a igualdade e direitos.

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