Da engenharia aos palcos: a trajetória do humorista Fagner Zadra 

Foto: Fagner Zadra. Créditos. R. A. Farias

 

Por Elsa Villon

 

Em 27 de março é comemorado o Dia Mundial do Teatro, data criada pelo Instituto Internacional do Teatro, em 1961, para celebrar essa linguagem artística, criada na Grécia Antiga. 

 

Quando se fala em teatro no Brasil, há muitos desafios: público, apoio, recursos, divulgação. Mas isso é potencializado na vida de artistas com deficiência. É o caso do humorista e palhaço de formação (do inglês clown) Fagner Zadra. 

 

Formado em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fagner estava estável na área, mas não estava feliz: “Como eu já fazia pequenos shows de humor em paralelo, decidi assumir de vez a carreira de humorista e fazer dela o meu trabalho principal”. 

 

Foi assim que ele abandonou a carreira de engenheiro civil e fez um curso de clown para seguir nos palcos. Parte do grupo Tesão Piá, ele afirma que esse é um dos pontos mais altos da sua trajetória profissional, assim como o show Sit Down Comedy. 

 

Mas as dificuldades na trajetória não foram poucas: “Foram shows com pouco público, falta de dinheiro e até fome, assim como é a realidade da maioria dos artistas no Brasil”, menciona o humorista. 

 

Novos desafios na carreira como artista

Para Fagner, que é tetraplégico, há muitas barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência: “Muitos produtores nem se imaginam trabalhando com uma pessoa com deficiência por achar que nós vamos dar mais problemas que o habitual, e isso não é verdade”. 

 

De acordo com o humorista, as pessoas com deficiência já vão mais preparadas e organizadas para o trabalho, justamente pela falta de oportunidades e a realidade injusta com essa população. “Existe também um grande preconceito do mercado onde imaginam que a pessoa com deficiência só consegue fazer papel de pessoa com deficiência, e isso também está extremamente errado, pois existem muitas formas de executar o papel de um personagem, principalmente se entrarmos no âmbito da produção. Para ter uma ideia, já me colocaram dirigindo uma kombi, e sem usar efeitos gráficos”, comenta. 

 

Ele defende que uma das formas de eliminar essas barreiras é por meio da educação: “Só assim vamos diminuir a exclusão e a discriminação, mostrando cada vez mais que a pessoa com deficiência pode muito e, às vezes, precisa apenas de uma chance”. 

 

Atualmente, o comediante está trabalhando em uma nova peça do Tesão Piá, em um novo show especial de stand-up comedy e está terminando um livro. Além disso, menciona que há várias ideias passando por sua cabeça, sempre pensando em algo novo a curto, médio e longo prazo: “É assim que é a cabeça de um artista”. 

 

A retomada pós covid-19

A pandemia de covid-19 prejudicou diversos setores da economia, como o setor artístico. Com as vacinas e a flexibilização das medidas sanitárias, as casas de espetáculo e teatro estão, aos poucos, voltando a funcionar. 

 

Fagner destaca que o período foi terrível para todos, mas, em especial, para a classe artística: “A Tesão Piá não escapou disso, porém já estamos de volta, a cada dia com mais novidades. No final deste ano, já teremos um grande show com o elenco completo”, prevê. 

 

O humorista finaliza com um recado para todos os colegas artistas, principalmente para os que têm algum tipo de deficiência: “Jamais desistam, mesmo que tenhamos que lutar contra o sistema milhares e milhares de vezes”. 

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