Educação Inclusiva

Como fazer com que pais de crianças com necessidades educativas especiais aceitem que a criança tem dificuldades e necessita de ajuda?

O diálogo compreensivo é um procedimento metodológico que podemos lançar mão para que pais aceitem as dificuldades e necessidades de seus filhos com necessidades educacionais especiais. A compreensão pressupõe uma apreensão recíproca da realidade em que estamos envolvidos. Uma apreensão feita com o outro, aquele que é diferente de mim, que pensa diferente. Para essa compreensão, podemos nos valer de estratégias de ação ou recursos contidos no meio em que vivemos. Promover encontros com pais de crianças em situações semelhantes, que já superaram a fase da negação ou do luto é uma das estratégias, pois, ao mesmo tempo em que possibilitam aos pais identificarem pontos comuns em sua identidade, revelam também os estágios diferenciados em que se encontram. A literatura é outra valiosa parceira nesse desafio, pois possibilita um diálogo diferenciado entre autor e leitor, com mais liberdade de expressão, pensamento e reflexão. Citamos como exemplo o livro “O filho eterno”, de Cristovão Tezza. Tezza é um escritor brasileiro que expõe, de forma corajosa, as inúmeras dificuldades de criar um filho com síndrome de Down, em uma época em que o assunto não era tão estudado e tinha um véu de misticismo. Nesse livro-depoimento, descreve sobre a transformação da sua rotina diária ao destinar grande parte do tempo para ida a clínicas e consultórios médicos. As vitórias são descritas como novos sabores para sua vida. Complementando esse enfoque, no livro “Uma menina estranha: autobiografia de uma autista”, Temple Grandin e Margaret M. Scariano nos levam a imaginar a vida da família com uma menina que desde os seis meses de vida não se aninhava no colo da mãe; ficava rígida e rejeitava o abraço. Até os três anos e meio só se comunicou por intermédio de gritos, assobios e murmúrios. Foi diagnosticada como autista, mas se transformou em uma bem sucedida desenhista de equipamento de manejo de gado, uma das poucas profissionais do gênero no mundo. A mãe escrevia sobre a filha, descrevia seus comportamentos, reações e mudanças. Achava a filha linda e, mesmo nos piores dias, a achava inteligente e interessante, considerando sua companhia divertida e muito agradável. Um contraponto dessa situação está retratada no filme “O milagre de Anne Sullivan”, que valorizou as atitudes da Professora Anne Sullivan ao tratar de Helen Keller, uma garota surdocega, cujos pais sentiam pena da menina e a mimavam. Uma história verídica, maravilhosa! Outra história real, a do escritor irlandês Christy Brown, foi tema do filme “Meu Pé Esquerdo”. Christy é o décimo de um total de 22 filhos de uma família pobre irlandesa. Sofre de paralisia cerebral e conseguiu algum controle do pé esquerdo para escrever um apelo para a única pessoa que podia ajudá-lo a conseguir desenvolver seu potencial: sua mãe. Com essa companheira revelou-se um artista de grande talento. Também o documentário “Do Luto à Luta”, dirigido por Evaldo Mocarzel (Brasil, 2004), trata sobre essa questão: como os pais recebem a notícia de que os filhos nasceram com Síndrome de Down. Mostra também diversos adultos com síndrome e suas impressões sobre a vida. Essas são algumas das inúmeras possibilidades que o meio em que vivemos nos oferece. A Literatura e a Arte podem nos auxiliar a desenvolver o diálogo compreensivo, pois acionam nossos sentidos. Instigam-nos a conhecer, enxergar, ouvir, falar e ampliar nossos resquícios de vida na convivência com o outro, o diferente, o estrangeiro.

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