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Poetisas e poetas com deficiência  

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Foto em plano detalhe de uma caneta tinteiro sobre um papel branco em uma mesa de madeira

Foto: Pexels. Créditos: Pixabay

Por Elsa Villon

O dia 31 de outubro marca uma data importante para a cultura brasileira: é o Dia Nacional da Poesia. A data não foi escolhida à toa: é o aniversário do poeta Carlos Drummond de Andrade, autor do poema “Meio do Caminho” e sua famosa pedra. 

Sem pedras no caminho, a Lei 13.131, de 2015, oficializa a comemoração, em uma homenagem não só a Drummond, mas a todas as poetisas e os poetas. Para comemorar, selecionamos alguns nomes, nacionais e internacionais, de poetas com deficiência. Confira a lista: 

Poetas antigos

Homero 

Toda a história do poeta autor de “A Ilíada” e “A Odisseia” foi transmitida oralmente na Antiguidade Clássica. Ele era chamado de “o bardo cego”, mas a origem é desconhecida. Sem muitos registros legítimos sobre sua existência, estudiosos modernos não atribuem a um único indivíduo as duas obras mais consagradas, mas seus versos têm sido perpetuados ao longo dos tempos graças às epopeias. 

John Milton 

O poeta britânico nasceu em Londres, no ano de 1608, e também era funcionário público, servindo como Secretário de Línguas Estrangeiras para a comunidade da Inglaterra, em 1649. Seu trabalho mais conhecido é o poema épico “Paraíso Perdido”, escrito em verso branco, formato que possui métrica, mas não rimas. A obra foi ditada de dentro da prisão, quando ele já estava cego em decorrência do glaucoma, entre 1658 e 1664. Sua condenação se deu por conta de seus posicionamentos políticos, favoráveis à república e críticos à monarquia. 

Luís de Camões 

Um dos maiores poetas e escritores da literatura lusófona, Luís de Camões perdeu um dos olhos em uma batalha na África, durante seu autoexílio após servir a corte de D. João III. Não há muitos registros de sua história, mas acredita-se que tenha nascido em Lisboa, em uma família de pequena nobreza, estudado latim, literatura e história, e frequentado a Universidade de Coimbra. Sua vida foi conturbada, envolvendo diversas prisões ao retornar para Portugal. “Os Lusíadas”, sua obra mais famosa, só foi reconhecida após a sua morte. 

Poetas contemporâneos

Bartyra Soares 

Poetisa e contista pernambucana com deficiência visual, Bartyra teve seu primeiro poema publicado no Diário de Pernambuco aos seis anos de idade. Ao longo de sua trajetória na escrita, também teve seus textos publicados em diversas revistas e jornais do país e fora dele, como a antologia Poésie du Brésil, em Paris, na França. Atualmente, ocupa a 37ª cadeira da Academia Pernambucana de Letras e a 13ª cadeira na Academia de Letras do Nordeste. Como contista, já recebeu quinze prêmios literários. Seu primeiro livro, “Enigma”, foi publicado em 1976, seguido de “Sombras consolidadas”, em 1980. Depois disso, já publicou oito obras em poesia e quatro contos. Suas obras mais recentes são “Labirinto das Águas-Eds”, de poesia, e “Três Curvas & Outras Reviravoltas”, de contos, ambas de 2018. 

Christy Brown 

O escritor, poeta e pintor irlandês nasceu em 1932 e teve paralisia cerebral. Aos cinco anos, Brown começou a pintar e escrever com o pé esquerdo e assim produziu diversas obras ao longo da vida. A principal delas é a autobiografia “Meu pé esquerdo”, livro que virou o filme homônimo e rendeu ao ator Daniel Day-Lewis o Oscar de melhor ator. A versão cinematográfica também foi premiada nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante. 

Emiliana Faria Rosa 

Doutora em linguística, mestra em educação e professora de Libras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Emiliana é uma escritora e poetisa que ficou surda aos 11 anos. Além da produção acadêmica, ela lançou o livro de poesias “Borboletas Poéticas”, publicado em 2017. 

Fábio da Silva Lopes 

Natural de Anhuma, em São Paulo, Fábio tem deficiência física por complicações no parto. Foi alfabetizado aos 16 anos, com apoio da família. Em 2012, ganhou um computador e, com auxílio de uma vareta de bambu na boca, passou a escrever seus poemas. O poeta mantém um blog e publicou o livro “A vida em poemas”, uma coletânea de sua obra. 

Kuli Kohli 

Kuli Kohli nasceu em 1970, em um vilarejo remoto em Uttar Pradesh, no norte da Índia, com paralisia cerebral. Por ser menina e ter deficiência, ela não foi aceita pela comunidade e sua família se mudou para o Reino Unido em 1973, com o fluxo migratório no período. Já no novo país, ainda enfrentou muito preconceito e frequentou uma escola especial. Ela apresentava dificuldades de fala e passou a se expressar pela escrita, quando conheceu a poesia na escola, graças aos professores que liam em sala de aula. Aos 13 anos, mudou para uma escola regular e passou a escrever seus próprios poemas. Mais tarde, conseguiu um trabalho no Conselho Municipal de Wolverhampton, cidade britânica onde mora. No emprego, conheceu Simon Fletcher, oficial de desenvolvimento de literatura nas bibliotecas da cidade, que se interessou pelos seus escritos e se tornou seu mentor para publicação da obra “A Wonder Woman” (Uma mulher maravilhosa, em português). Ela formou um grupo de mulheres indianas que se identificam com sua história. Elas se reúnem mensalmente na Biblioteca Central da cidade. Casada e mãe de dois filhos, ela é escritora, poetisa e ativista social e mantém um site. 

Lídia Maria Cardia 

A poetisa e escritora nasceu em Presidente Prudente, cidade do interior de São Paulo, com baixa visão. Foi alfabetizada até o quarto ano do ensino fundamental I, pois teve dificuldade em ser matriculada em escolas comuns. Fã da obra de Adelaide Carraro, continuou estudando por conta ao longo da vida. Em 2005, escreveu o seu primeiro poema, que deu origem ao livro “Apenas um minuto”, lançado em 2017 durante a abertura da 36ª Semana Literária & Feira do Livro do SESC SP. Ela concluiu os estudos em Umuarama, no Paraná, no Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebeja), por meio da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (APADEVI), e é formada em pedagogia pela Universidade Paranaense (Unipar). 

Tiago Gomes Pinto 

Tiago tem 31 anos e tem deficiência intelectual. Militante pelos direitos das pessoas com deficiência, ele cursa direito pela Universidade Estadual de Roraima e escolheu a poesia como meio de romper preconceitos em relação às pessoas com deficiência, trazendo questões como as relações interpessoais, de trabalho e familiares sob a sua perspectiva. Seu livro, “Sarau de Poesia e outros escritos: o deficiente tem sentimento, o deficiente rompe barreiras”, foi publicado pela Alexa Cultural e está disponível para venda no site da editora.  Também é possível acompanhar novidades sobre o poeta em seu perfil no Instagram. 

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