Nota Editorial do Instituto Paradigma: O voto é a expressão máxima da cidadania. Quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anuncia que o número do eleitorado com deficiência cresceu quase 50% para o pleito de 2026, não estamos vendo apenas uma mudança estatística. Estamos testemunhando o resultado de anos de luta por visibilidade, empoderamento e garantia de direitos. Mais pessoas com deficiência estão se autodeclarando e exigindo seu espaço nas urnas. No entanto, como o próprio TSE aponta, a acessibilidade física dos locais de votação (escolas e prédios públicos) ainda é um desafio dinâmico. Isso reforça a nossa premissa: a acessibilidade é um compromisso coletivo.
Confira abaixo os dados oficiais divulgados pela Justiça Eleitoral e conheça seus direitos na hora de votar.
Texto original: Tribunal Superior Eleitoral – TSE | Atualizado em 20/07/2026
As Eleições 2026 contarão com o maior número de eleitoras e eleitores com deficiência já registrado pela Justiça Eleitoral. Dados do perfil do eleitorado divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 1.963.551 pessoas com deficiência estão aptas a votar no pleito deste ano.
Isso representa um crescimento expressivo de 42,5% em relação às Eleições Gerais de 2022, quando esse público somava 1.377.787 eleitores.
Para acompanhar esse aumento, a Justiça Eleitoral ampliou a estrutura destinada a garantir o exercício do voto com autonomia e segurança. O número de seções eleitorais principais com acessibilidade passou de 156.296, em 2022, para 223.587 em 2026, um crescimento de 43%. A ampliação faz parte das ações permanentes para promover a inclusão e assegurar que eleitoras e eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida possam exercer plenamente o direito ao voto.
Perfil do eleitorado com deficiência
Entre as pessoas com deficiência aptas a votar nas Eleições 2026, o maior grupo é formado por eleitoras e eleitores classificados na categoria “Outros”, que reúne 994.472 pessoas, correspondendo a 45,46% do total.
Na sequência aparecem:
- Deficiência de locomoção: 617.996 eleitoras e eleitores (28,31%);
- Deficiência visual: 319.489 (14,61%);
- Deficiência auditiva: 182.341 (8,32%);
- Dificuldade para o exercício do voto: 64.851 (2,97%).
Em comparação com 2022, todos os principais grupos registraram crescimento. O número de eleitoras e eleitores com deficiência visual, por exemplo, aumentou aproximadamente 49%. Já o eleitorado com deficiência auditiva cresceu cerca de 54%, enquanto as pessoas com deficiência de locomoção tiveram um crescimento de 26,5%.
Mais acessibilidade no dia da votação
Além da expansão das seções acessíveis, a Justiça Eleitoral disponibiliza uma série de recursos para garantir maior autonomia durante a votação. A urna eletrônica conta com:
- Sistema de áudio para pessoas com deficiência visual;
- Teclado em braile;
- Identificação tátil nas teclas;
- Compatibilidade com tecnologias assistivas.
No momento do atendimento eleitoral, a eleitora ou o eleitor também pode informar eventual deficiência ou necessidade específica, permitindo que a Justiça Eleitoral organize a infraestrutura necessária para oferecer melhores condições de acesso no dia da eleição.
Gestão dos espaços: um desafio estrutural
A Justiça Eleitoral mantém o registro consolidado dos locais de votação que dispõem de pelo menos uma seção eleitoral com acessibilidade. Contudo, a gestão física, estrutural e predial desses imóveis — em sua maioria pertencentes a redes de ensino públicas ou parceiros privados — não compete diretamente à Justiça Eleitoral.
Em razão disso, as condições de acessibilidade nas seções são dinâmicas: reformas ou alterações estruturais promovidas pelos proprietários dos imóveis podem tanto conferir acessibilidade a novas seções quanto comprometer estruturas antes consideradas acessíveis. Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) realizam vistorias periódicas para atualizar o diagnóstico detalhado de cada localidade.
Seus Direitos na Urna
No momento da votação, mesmo que não tiver sido feito nenhum requerimento prévio, eleitoras e eleitores ainda podem informar à mesária ou ao mesário que suas condições demandam acessibilidade. A Justiça Eleitoral providenciará possíveis soluções.
Também é possível contar com a ajuda de alguém de confiança, desde que a presença de acompanhante seja imprescindível para a votação e a pessoa escolhida não esteja a serviço da Justiça Eleitoral, de partido político ou de coligação. Caso seja autorizada a entrada pela presidência da mesa receptora de votos, tal pessoa poderá entrar na cabine e digitar os números na urna eletrônica.
Imagem de capa: “Abertura do Encontro Justiça Eleitoral para todas as pessoas: juntos pela acessibilidade e inclusão – 29/04/2026”. (Foto: Reprodução | Créditos: Alejandro Zambrana/Secom/TSE)



