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Professora fala sobre inclusão e acessibilidade para avanço da educação inclusiva 

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Foto de Lara Souto, uma mulher negra de longos cabelos ondulados e escuros de costas, escrevendo "Good morning" em um quadro branco

Foto: acervo pessoal. Créditos: Lara Souto

Por Elsa Villon

Para muitas professoras e muitos professores, o ofício de ensinar é um sonho que data desde as primeiras perguntas de “o que você quer ser quando crescer”. Mas para Lara Souto, professora de língua inglesa da rede pública da Prefeitura de São Paulo, não foi assim que aconteceu. “Eu sempre entendi que era uma possibilidade. Quando fiz a licenciatura em Letras, foi muito mais sobre ter o leque de opções, uma profissão mais aberta”. 

Natural de São Paulo, ela conta que a ideia de lecionar surgiu após passar em um concurso para ser professora na rede pública da capital paulista. Já tendo trabalhado com educação não formal anteriormente, esse foi o ponto de virada para ingressar em escolas regulares após ser aprovada. Lara também atua como consultora em inclusão e acessibilidade, com audiodescrição e educação inclusiva e trabalha com a formação de outros educadores.  

Nascida prematuramente, ela tem deficiência visual. Durante sua trajetória acadêmica, encontrou barreiras de acessibilidade na oferta de livros. “Atualmente, cresceu um pouco mais a quantidade de livros digitais, sobretudo os teóricos. Mas, quando eu fiz a graduação, tinha bastante trabalho em digitalizar o material”, relembra. 

Há quatro anos lecionando na escola regular, ela menciona os momentos mais marcantes na sua trajetória profissional: “Quando os pais dos alunos reconhecem o trabalho que eu faço. E sentir que os alunos estão envolvidos com os conteúdos. Além disso, a oportunidade de trabalhar com a formação dos professores e estar sempre em diálogo com os meus pares. Isso é bem importante.” 

O professor na promoção da inclusão 

Para Lara, o papel do professor para que a educação seja inclusiva é, antes de mais nada, o papel de ser humano: “Um ser humano anticapacitista, disposto a aprender, que não tenha uma prática sempre igual, engessada. Uma pessoa que esteja disposta a ver, rever e testar para que consiga alcançar o maior número possível de estudantes”. 

Mas a educação inclusiva vai além do papel do professor e envolve muitos aspectos e setores da sociedade. Entre os avanços, Lara menciona que é necessário que as escolas estejam livres de barreiras, principalmente, as atitudinais: “Com todo mundo consciente de que precisa fazer algo para que a sociedade cresça e que isso começa na escola, com certeza teremos resultados mais interessantes e conseguiremos avançar nessa pauta tão importante”. Ela menciona que políticas públicas são fundamentais para o avanço da educação inclusiva no país, considerando suas dimensões continentais. 

Para a professora, a formação continuada também é importante no processo da educação inclusiva, e deve ser compreendida como um passo inicial. Além disso, cada profissional deve entender a importância e estar aberto a continuar a aprender sobre a inclusão de pessoas com deficiência. “Não existe uma receita pronta. É preciso aprender com os familiares, com os demais profissionais”, argumenta. 

Ela também pontua que cada estudante tem demandas distintas, sendo ele com ou sem deficiência, e os professores devem estar sempre preparados para se adaptar aos desafios que encontra no dia a dia. 

Boas práticas para a educação inclusiva 

Especialista em acessibilidade, Lara orienta educadoras e educadores que pensam na acessibilidade dentro das salas de aula: é necessário ter um perfil investigativo para encontrar informações, ferramentas e estratégias. “O portal DIVERSA tem conteúdos que podem apoiar o professor, mas é preciso ter um nível de consciência de que dar uma aula que inclui todo mundo é um direito de todas as pessoas”, afirma.  

Ela reforça que receber educação de qualidade é um direito de todas e todos, listado nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. E não deixa dicas específicas, mas destaca: “Há sim uma necessidade de que o professor, os funcionários da escola, a gestão e toda a comunidade escolar se conscientizem de que a educação de qualidade é um direito e a gente precisa ter esse compromisso estando dentro da escola.” 

Já para as pessoas com deficiência que querem ser educadoras, Lara afirma que o principal é estudar e estar aberto a aprender, além de estar preparado para enfrentar situações de capacitismo, muitas vezes, dos próprios colegas. “A profissão de professor não é fácil para ninguém, é desafiadora o tempo todo. É preciso gostar do conteúdo que se vai lecionar e tentar sempre cativar o estudante. Isso, com certeza, faz bastante diferença para que possam se sentir envolvidos. E contar com a parceria dos alunos e dos colegas”. 

Ela encerra com uma provocação: a de que as pessoas pensem que a comunidade escolar vai além das professoras e professores, e que é preciso pensar não apenas nos estudantes com deficiência: “São familiares que podem ter um filho sem deficiência, mas que eles próprios têm deficiência e estão na escola, ou outros funcionários, professores, inspetores de alunos, ou a própria gestão ter alguma deficiência. Quando falamos em diversidade, precisamos pensar que ela pode vir de toda parte, e não apenas dos estudantes.” 

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